Cansou de batata ou mandioca? Na sopa ou no escondidinho, vá de inhame!

A aparência rústica do inhame, que lembra a de uma batata coberta por pelos, não faz jus ao seu sabor delicado. De casca marrom e polpa branca, essa raiz rica em amido é muito versátil e entra em qualquer receita que leve batata ou mandioca, pois apresenta uma textura bem parecida depois da cocção.

Nunca comeu o ingrediente na vida? Aproveite que está na época e arrisque-se a inclui-lo em seus preparos no dia a dia. Dá até para usar na sobremesa!

Cozimento fácil

Em geral, consome-se o inhame cozido por poucos minutos em um pouco de água com uma pitada de sal. Por ter a casca bem rústica, é sempre recomendável removê-la antes de ir para a panela. “Depois de descascar, lave o inhame em água corrente para tirar um pouco de sua viscosidade natural”, diz o chef Thiago Medeiros, da S Simplesmente, em São Paulo. Depois, deixe de molho em água com vinagre, para evitar que escureça. O chef recomenda também enxugar os pedaços com um papel-toalha, para facilitar a manipulação.

A cor da polpa muda após o cozimento: de branco, passa para um tom de cinza claro. Assim como as batatas e mandiocas, é mais saboroso se comido quente. Mas permanece bom mesmo depois de frio, e pode ser consumido como salada -com molho simples de azeite, suco de limão ou vinagre, sal e pimenta. O chef é um apreciador do ingrediente, e sempre cria pratos que realcem ainda mais suas características. “Gosto de consumi-los assado ou como sopa”, diz ele.

Uma das receitas indicadas por ele é o Braseado. Nesse preparo, a raiz é descascada, cortada em rodelas e grelhada antes de receber outros ingredientes, como alho, cebola, pimenta dedo-de-moça, talos de coentro, pimentões, tomates. Os inhames cozinham lentamente no molho formado, ao qual adiciona-se leite de coco. Dessa forma, fica bem macio e cremoso, além de muito aromático.

 

 

Tadeu Brunelli/UOL

Até no escondidinho

Assim como as batatas, o inhame rende um ótimo purê. O diferente, neste caso, é que ele traz uma ligeira viscosidade, que dá uma liga maior ao preparo, assim como ocorre nos cremes feitos de mandioca. Por isso, combina com receitas como bobó ou escondidinho.

Em uma versão vegetariana dessa receita, o chef Medeiros monta o Escondidinho com Purê de Inhame e um Refogado de Pupunha e Feijão Fradinho. É servido quente, gratinado com farinha de amendoim.

Prefere uma sopa? Com os inhames cozidos em caldo de legumes ou aves, faz-se um prato de textura aveludada que fica ainda mais saboroso se você adicionar verduras como brócolis ou couve-flor. Na hora do preparo, basta refogar a raiz em pedaços com a hortaliça escolhida e temperos como alho, cebola e azeite. Cubra com o caldo quente e cozinhe até tudo ficar macio. Na sequência, bata a sopa no liquidificador (ou mixer), para obter um creme liso. Polvilhe com ervas frescas – especialmente salsinha, cebolinha ou coentro picados – na hora de servir.

Outra forma de aproveitar o inhame cozido e amassado é fazer bolinhos (que podem ser fritos ou assados), recheados de carne-seca refogada ou queijo. Também fica delicioso na massa do pão caseiro, pois agrega umidade e sabor. Por ser bastante neutro, o inhame aceita bem as mais diversas combinações de ingredientes.

Quer variar a batata frita? Chips de inhame também caem bem. Para fazer, descasque o legume e corte em fatias bem fininhas. Frite em óleo quente até ficarem douradas e crocantes. Polvilhe com sal e sirva como acompanhamento para filés grelhados, sanduíches ou para comer puro.

 

 

 

Tadeu Brunelli/UOL

Leite vegetal

Pode parecer estranho, mas o inhame pode também ser ingerido cru, em forma de “leite” vegetal. Para preparar a bebida, bata o inhame descascado e em pedaços, no liquidificador com água mineral até obter uma mistura homogênea. Depois, é só coar e usar o leite como base para shakes e vitaminas com frutas, cereais e mel. Por ser rico em nutrientes, virou queridinho da turma fitness e é muito adotado por quem segue dietas vegetarianas.

Porém, o inhame cru pode causar reações alérgicas em pessoas mais sensíveis. Algumas pessoas podem sentir coceira e vermelhidão nas mãos simplesmente pelo fato de descascar o inhame. Por isso, antes de consumir essa raiz crua, é importante tocar a polpa ou passá-la um pouquinho sobre a pele e aguardar alguns minutos para ver se não houve reação. As substâncias irritantes são neutralizadas com o cozimento. Se estiver na dúvida, prefira o inhame cozido.

Tadeu Brunelli/UOL

Mordida doce

O inhame é considerado comida “da roça”. Em cidades do interior, o pão do café da manhã é substituído por essa raiz cozida, servida com manteiga derretida, melaço de cana ou mel.

Além da primeira refeição do dia, o inhame também pode brilhar na sobremesa. O chef Medeiros ensina o preparo de uma mousse que combina essa raiz cozida e cacau, numa versão mais magra desse doce clássico francês. A sobremesa é complementada por castanha de caju, chocolate amargo e tâmaras.

Marcelo Justo/FolhapressMarcelo Justo/Folhapress

Compra e conservação

O inhame pode variar de tamanho, de pequenas esferas a raízes maiores, de formato um pouco mais alongado. Muitas pessoas confundem com o cará, que possui a polpa mais firme depois de cozida e é bem maior em tamanho, lembrando a mandioca.

Na hora da compra, prefira os inhames que estejam bem firmes, sem sinal de umidade ou partes amolecidas. Também evite os que apresentarem partes escuras e mofadas. A polpa do inhame deve ser bem branca e clara; se tiver alguns pedaços pretos, descarte o ingrediente todo.

Fonte: Luciana Mastrorosa – Colaboração para o UOL, de São Paulo

http://comidasebebidas.uol.com.br/listas/cansou-de-batata-ou-mandioca-na-sopa-ou-no-escondidinho-va-de-inhame.htm